O mercado segurador brasileiro atravessa, no biênio 2024-2025, o que pode ser classificado como sua transformação estrutural e cultural mais profunda das últimas três décadas. Historicamente, o seguro de vida no Brasil enfrentou barreiras culturais intransponíveis para uma parcela significativa da população.
A aversão psicológica ao planejamento sucessório e a visão fatalista de que o seguro é um “dinheiro para os outros” (beneficiários) criaram um cenário onde, ainda em 2024, cerca de 82% dos brasileiros maiores de 18 anos permanecem desprotegidos, sem qualquer apólice de vida contratada.
A resiliência do setor e os dados recentes de arrecadação revelam uma mudança tectônica nas motivações de consumo: o seguro de vida deixou de ser comercializado e percebido estritamente como um instrumento de herança e liquidez para inventário, convertendo-se progressivamente em um ativo de proteção financeira em vida.
Este relatório examina exaustivamente essa transição, focando na ascensão das “coberturas inteligentes” — Doenças Graves (DG), Diária por Incapacidade Temporária (DIT), Invalidez Majorada e Lucros Cessantes. A análise baseia-se em dados primários da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP),
Relatórios setoriais da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e balanços corporativos de seis operadoras-chave que representam o espectro completo do mercado: as incumbentes massificadas (Bradesco Seguros, Porto Seguro), as seguradoras de nicho e parcerias globais (Tokio Marine, MBM Seguradora) e as insurtechs disruptivas (Azos, Iza).
Na hipótese central deste estudo é que a introdução e a popularização das coberturas de uso em vida não apenas aumentaram a penetração do produto nas classes econômicas ativas, mas também alteraram fundamentalmente o perfil de risco e a sinistralidade das carteiras.
Enquanto o seguro tradicional de morte opera com baixa frequência e alta severidade, as novas modalidades introduzem uma frequência maior de utilização, exigindo modelos de subscrição (underwriting) baseados em inteligência artificial e dados comportamentais para manter a sustentabilidade técnica.
Ao longo de 2024 e do primeiro semestre de 2025, observou-se que, mesmo diante de catástrofes climáticas que devastaram carteiras de danos elementares, o segmento de pessoas manteve-se como o pilar de solvência e rentabilidade do setor, impulsionado por uma demanda que cresce a taxas de dois dígitos em produtos que “preservam a vida”.
Para compreender a magnitude da mudança nos produtos de seguro de vida, é imperativo contextualizar o ambiente em que estas apólices são ofertadas.
O Brasil, apesar de ser a 9ª economia mundial, ocupa uma posição desproporcionalmente baixa (42ª posição) no ranking da OCDE de prêmios de seguros sobre o PIB.
Este “gap de proteção” reflete uma falha histórica na comunicação do valor do seguro, que por décadas focou exclusivamente na morte, um evento que o consumidor médio brasileiro evita contemplar.
Contra todas as expectativas de retração econômica ou estagnação pós-pandemia, o mercado de seguros de pessoas demonstrou um vigor impressionante.
No acumulado de 2024, a arrecadação do setor atingiu a marca de R$ 72,7 bilhões, representando uma expansão nominal de 16,2% em comparação com o ano anterior.
Este crescimento não foi uniforme; ele foi qualitativamente impulsionado por linhas de negócio específicas que dialogam com a necessidade de liquidez imediata do segurado.
A análise granular dos dados do primeiro semestre de 2025 corrobora esta tendência de aceleração. Apenas nos primeiros seis meses do ano, os prêmios arrecadados somaram R$ 37,8 bilhões, uma alta de 8,4% sobre a base já elevada de 2024.
O dado mais revelador, contudo, não é o total agregado, mas a composição desse crescimento. Enquanto modalidades tradicionais crescem em ritmo vegetativo, os seguros voltados para riscos em vida, especificamente a cobertura de Doenças Graves, registraram saltos de crescimento entre 18,1% e 22,2% em janelas bimestrais de 2025.
Esta discrepância estatística sinaliza que o consumidor brasileiro está disposto a pagar por proteção, desde que perceba o benefício direto para si mesmo.
O aumento da renda média e da massa salarial em 2024 forneceu o combustível econômico para essa expansão, mas o vetor de direção foi a conscientização sobre a vulnerabilidade financeira diante de diagnósticos médicos severos ou incapacidade laboral temporária.
O Impacto das Catástrofes Climáticas na Percepção de Risco.
O ano de 2024 ficará marcado na história do mercado segurador brasileiro pelo desastre climático no Rio Grande do Sul em maio.
Este evento funcionou como um teste de estresse em tempo real para as seguradoras. Os dados da SUSEP revelam que, em maio de 2024, a sinistralidade nos seguros de danos (automóvel, residencial, empresarial) disparou para 66,1%, desestabilizando o resultado operacional de diversas companhias.
Em contraste absoluto, o seguro de vida operou como um hedge (proteção) de estabilidade. No mesmo mês da calamidade, a arrecadação do seguro de vida cresceu 16,1% , e a sinistralidade da carteira de pessoas manteve-se controlada.
Este fenômeno demonstra uma característica atuarial crucial: enquanto os bens materiais são altamente correlacionados e vulneráveis a eventos sistêmicos localizados (uma enchente destrói milhares de carros simultaneamente), o risco de vida e saúde, embora afetado, possui uma dispersão diferente.
Além disso, a tragédia reforçou na população a noção de finitude e vulnerabilidade, catalisando a procura por seguros que oferecessem amparo imediato, não apenas para a reconstrução de patrimônio, mas para a subsistência da família e do indivíduo.
A transição do “Seguro de Morte” para o “Seguro de Vida em Vida” baseia-se na reengenharia dos produtos.
As operadoras analisadas — Azos, Iza, Bradesco, Porto Seguro, Tokio Marine e MBM — adotaram, cada uma à sua maneira, mecanismos que permitem o adiantamento do capital segurado ou o pagamento de indenizações independentes mediante gatilhos de sobrevivência.
Doenças Graves (Critical Illness): O Capital de Cura.
A cobertura de Doenças Graves (DG) emergiu como a “joia da coroa” do novo mercado segurador. Diferente do plano de saúde, que cobre as despesas médicas (reembolso ou rede credenciada) pagas diretamente aos prestadores (hospitais), o seguro de DG paga uma indenização em dinheiro (lump sum) diretamente ao segurado no momento do diagnóstico definitivo de uma patologia coberta.
Mecanismo: O gatilho é o laudo médico. Diagnosticado um câncer, infarto agudo do miocárdio, AVC ou necessidade de transplante, a seguradora libera o capital contratado.
Utilização: O recurso é livre. O segurado pode utilizá-lo para custear tratamentos experimentais não cobertos pelo plano de saúde, importar medicamentos de alto custo, reformar a casa para acessibilidade, ou simplesmente manter o padrão de vida e pagar contas durante o período de afastamento do trabalho.
Dados de Mercado: Em 2025, a procura por esta cobertura cresceu acima de 22%, superando até mesmo o crescimento do Vida Individual tradicional.
O valor médio de cobertura (ticket de indenização) situa-se na faixa de R$ 200.000,00 a R$ 300.000,00, montante calculado para cobrir custos indiretos de um tratamento oncológico de média duração no Brasil.
Diária por Incapacidade Temporária (DIT) e Lucros Cessantes.
Se o DG cobre o evento catastrófico de saúde, a DIT cobre a erosão da renda. Focada em profissionais liberais e autônomos, esta cobertura é a resposta do mercado à “uberização” da economia.
Mecanismo: O segurado contrata um valor de diária compatível com sua renda comprovada. Em caso de afastamento por doença ou acidente (respeitada a franquia, geralmente de 10 a 15 dias), a seguradora paga o valor dos dias parados.
Inovação das Insurtechs: Seguradoras digitais como a Iza revolucionaram este produto ao eliminar burocracias de comprovação de renda e focar na velocidade. A Iza, por exemplo, destaca-se por pagar sinistros em menos de 24 horas, essencial para um entregador de aplicativo que vive da renda diária.
Invalidez Majorada e Funcional
A cobertura de Invalidez Permanente Total ou Parcial por Acidente (IPTA) tradicionalmente gerava atritos com consumidores devido ao uso da Tabela SUSEP, que prevê indenizações proporcionais à perda funcional (ex: 10% do capital para a perda de um dedo).
Modelagem Inteligente: Novas operadoras, com destaque para a Azos, revisaram este modelo para oferecer pagamentos integrais (100% do capital segurado) em casos de perda total de uso de membros ou órgãos essenciais, eliminando a complexidade do cálculo proporcional e aumentando a percepção de valor do produto.
Comparativo Estrutural: Tradicional vs. Inteligente
Característica Seguro de Vida Tradicional (Legado) Seguro de Vida “Inteligente” (Benefícios em Vida)
Evento Gerador (Gatilho) Morte (Natural ou Acidental) do Segurado.
Diagnóstico de Doença (DG), Afastamento (DIT), Invalidez.
Beneficiário Principal Terceiros (Herdeiros, Cônjuge, Filhos). O Próprio Segurado (1ª Pessoa).
Objetivo Financeiro Reposição de renda futura para dependentes; Custeio de inventário. Preservação da dignidade financeira do segurado; Custeio de tratamento; Manutenção de renda atual.
Momento do Recebimento Post-mortem (após óbito e trâmites legais). In vita (imediato após diagnóstico ou ocorrência).
Ticket Médio Mensal Baixo Custo (R$ 20 – R$ 50 para capitais básicos). Acessível. Custo Médio/Alto (R$ 70 – R$ 300+). Reflete maior probabilidade de uso..
Percepção de Valor Intangível (“Dinheiro perdido se não morrer”). Tangível (“Proteção ativa do meu patrimônio e saúde”).
Sinistralidade Típica Baixa Frequência / Alta Severidade. Média Frequência / Média Severidade.
Exemplo de Cobertura Morte Qualificada, Auxílio Funeral. Câncer, AVC, Transplantes, DIT, Telemedicina.
Análise de Dados de Sinistralidade e Arrecadação (2024-2025)
A análise da performance financeira e técnica das seguradoras revela que a estratégia de focar em benefícios em vida é financeiramente sustentável, apesar da maior frequência de sinistros.
O índice de sinistralidade (relação entre sinistros pagos e prêmios ganhos) do ramo Vida permanece em patamares saudáveis, financiando, em muitos conglomerados, as perdas observadas em outros ramos.
Os dados consolidados da SUSEP e compilados em relatórios do IRB+Inteligência mostram que a sinistralidade geral do mercado segurador no primeiro semestre de 2025 foi de 41,9%, o menor valor registrado para o período desde 2014.11 Esta redução foi fortemente influenciada pela performance estelar do segmento de Vida.
No recorte específico de Vida, a sinistralidade encerrou o primeiro semestre de 2025 estável em 27,3%.11 Este número é notável quando comparado aos índices de Automóvel (que frequentemente ultrapassam 55-60%) e Saúde Suplementar (acima de 85%). A estabilidade em torno de 27% a 30% indica que as seguradoras precificaram corretamente o risco das novas coberturas de Doenças Graves e DIT, ou que a seleção de riscos (subscrição) tornou-se mais eficiente.
Volume de Indenizações Pagas
O volume financeiro devolvido à sociedade demonstra a relevância social do setor. Em 2024, excluindo-se a saúde suplementar, o setor pagou mais de R$ 202 bilhões em indenizações, benefícios, resgates e sorteios.
Segmentação: Dentro deste montante, os seguros de pessoas (Vida, Prestamista, Acidentes Pessoais) representam uma parcela majoritária dos benefícios de risco.
Primeiro Semestre de 2025: Foram pagos R$ 14,6 bilhões em indenizações para famílias e segurados entre janeiro e outubro de 2025 (acumulado parcial), representando um aumento de 8,8% sobre o ano anterior.
Detalhamento por Produto: 52% dos benefícios pagos referem-se a seguros de Vida (Individual e Coletivo), 22% ao Prestamista e 11% a Acidentes Pessoais. O destaque de crescimento nas indenizações pagas vai para Doenças Graves, cujos pagamentos aumentaram 25,3% no período, evidenciando a maior utilização desta cobertura em vida pelos segurados.
Estudo de Caso: As Insurtechs (Azos e Iza) – Eficiência via Tecnologia
As insurtechs nativas digitais desempenham um papel central na disseminação das coberturas de “preservação da vida”, utilizando tecnologia para reduzir custos administrativos e melhorar a experiência de sinistro.
Azos: Subscrição Proprietária e Sinistralidade de Excelência.
A Azos posiciona-se como uma desafiante direta das seguradoras tradicionais, focando em um público jovem e digitalmente nativo que busca coberturas altas (até R$ 1 milhão ou mais) sem a burocracia de exames médicos presenciais.
Sinistralidade: A Azos reportou índices de sinistralidade significativamente abaixo da média de mercado. Em 2024, a empresa registrou sinistralidade de 21%, e nos primeiros cinco meses de 2025, o índice baixou para 20%.
Velocidade de Pagamento: A proposta de valor de “benefício em vida” exige liquidez rápida. A Azos ostenta um prazo médio de pagamento de sinistro de 7 dias úteis, com casos de pagamento em apenas 4 dias.
Precificação: Para um capital segurado de R$ 500.000,00, o prêmio mensal médio gira em torno de R$ 70,00, variando conforme idade e hábitos.10 Este valor posiciona o produto como acessível para a classe média, quebrando o mito de que o seguro de vida robusto é um produto de luxo.
Iza Seguradora: Proteção para a Economia Gig.
A Iza foca nas dores da força de trabalho informal e autônoma, onde a interrupção da renda (lucro cessante) é o maior risco, superando até o medo da morte.
Foco no DIT e Acidentes: O carro-chefe da Iza é a proteção contra acidentes que geram incapacidade temporária. A cobertura de “Afastamento Temporário” oferece diárias de até R$ 100,00 (limitadas a 30 dias), calculadas com base na renda recente do entregador ou profissional.
Sinistralidade e Velocidade: A Iza não compete por preço de prêmio, mas por velocidade de reposição de renda. A métrica chave da empresa é o pagamento de sinistro em menos de 24 horas (média), tendo registrado um recorde de pagamento de indenização hospitalar em 14 minutos.
Modelo de Negócio: Ao digitalizar 100% do processo de sinistro (“sinistro digital”), a Iza reduz o custo administrativo (LAE – Loss Adjustment Expense), permitindo operar com tickets baixos (microsseguros) de forma rentável.
Estudo de Caso: As Incumbentes (Bradesco, Porto, Tokio, MBM) – Escala e Ecossistemas
As grandes seguradoras responderam à inovação das insurtechs integrando o seguro de vida a ecossistemas de saúde e bem-estar, tangibilizando o benefício antes mesmo do sinistro ocorrer.
Bradesco Seguros: A Convergência Vida e Saúde
A Bradesco Seguros, líder de mercado, utiliza sua musculatura para criar produtos híbridos.
Dados Financeiros: No terceiro trimestre de 2024, a vertical de Vida e Previdência registrou lucro líquido de R$ 1,27 bilhão. O Grupo Bradesco (todas as operações) pagou um total colossal de R$ 56,6 bilhões em indenizações e benefícios em 2024.
Produtos “Vida Viva”: A linha “Vida Viva” é o epítome do seguro moderno na visão da seguradora. Em 2023, apenas este produto pagou mais de R$ 73 milhões em sinistros, enquanto a versão “Vida Viva Mulher” (focada em câncer de mama/colo de útero) pagou R$ 23 milhões.
Sinistralidade: A operação de Vida do Bradesco beneficia-se da sinergia com a Bradesco Saúde. A gestão integrada de dados médicos permite uma precificação mais acurada. A sinistralidade geral do grupo melhorou em 2024, com uma redução de 4 a 5,9 pontos percentuais em métricas consolidadas.
Porto Seguro (Porto): O Cross-Selling Lucrativo
Para a Porto, o seguro de Vida é um estabilizador de resultados frente à volatilidade do seguro Auto.
Performance 2024: A vertical de Vida apresentou estabilidade na sinistralidade, marcando 33,7% no 4T24, um índice excelente se comparado aos ~56% do ramo Auto da mesma companhia.
Crescimento: As receitas da vertical Vida cresceram 10% no último trimestre de 2024.
Estratégia de Preservação da Vida: A Porto oferece o serviço “Einstein Conecta” (telemedicina do Hospital Albert Einstein) junto com o seguro de vida. Isso transforma o seguro em um serviço de saúde primária, utilizado em vida para evitar sinistros maiores. O ROE (Retorno sobre Patrimônio) da vertical de Seguros, impulsionado pelo Vida, supera 20%.
Tokio Marine: Filosofia “Good Company” e PME
A seguradora japonesa foca fortemente no mercado de Pequenas e Médias Empresas (PME) e na oferta de assistências.
Dados: Em 2024, a companhia cresceu 10,6% em prêmios emitidos (R$ 13,4 bilhões totais) e devolveu R$ 6,5 bilhões em indenizações à sociedade.
Sinistralidade: A sinistralidade total da companhia foi de 54,7% em 2024 , um número que reflete o peso da carteira de Automóvel. No entanto, o segmento de Vida cresceu 14,6% (alinhado ao mercado), servindo como contrapeso rentável.
Diferencial: A Tokio aposta em assistências que “preservam a vida” do negócio do segurado PME, oferecendo coberturas que protegem sócios e funcionários chave, garantindo a continuidade da empresa em caso de imprevistos pessoais.
MBM Seguradora: A Força do Nicho e do Mutualismo
Com raízes no associativismo militar e público, a MBM exemplifica a longevidade do modelo mutualista adaptado aos novos tempos.
Atuação: Especialista em Seguros de Pessoas, a MBM detém grandes contratos de Vida Coletivo (como o da UFOPA para estudantes, cobrindo acidentes e invalidez).
Produto “Preservação”: O destaque é o MultiVida Resgatável, um produto que permite a acumulação de recursos. Se o segurado não falecer, ele pode resgatar parte do valor pago após um período de carência (semelhante ao Whole Life ou Dotal Misto). Isso endereça diretamente a objeção de “pagar e não usar”, transformando o seguro em uma reserva financeira em vida.
Dados Comparativos de Valores e Sinistralidade
A seguir, apresentamos uma consolidação dos dados quantitativos extraídos da pesquisa para permitir uma comparação direta entre as operadoras e o mercado.
Panorama de Sinistralidade e Performance Operacional (Dados 2024-2025)
Seguradora – Mercado Índice de Sinistralidade Vida (Estimado/Real) Foco do Produto de “Preservação da Vida” Diferencial Competitivo em Vida
Média de Mercado (SUSEP) 27,3% (1º Sem 2025) Mix (Morte + DG + DIT) Estabilidade técnica histórica; Melhor resultado desde 2014.
Azos ~20% – 21% DG Independente (até R$ 1 Mi) + Invalidez 100% Seleção de risco via IA (menor sinistralidade do setor).
Porto Seguro 33,7% (4T24) Vida Individual + Telemedicina Ecossistema integrado; Cross-selling com Auto.
Bradesco Seguros ~28% – 30% (Estimativa da Carteira Vida) Vida Viva (Multicoberturas) Solidez de pagamento (R$ 56 Bi totais); Sinergia com Saúde.
Tokio Marine ~30% – 35% (Estimativa Mercado Vida) PME + Doenças Graves Pacote de assistências robusto; Foco corporativo.
Iza Foco em Velocidade (N/D % Sinistralidade) DIT (Diária) + Despesas Médicas Pagamento < 24h; Proteção de renda diária (Gig Economy).
Valores Médios (Ticket e Indenização) por Modalidade.
Modalidade Custo Mensal Médio (Prêmio) Valor Médio de Indenização (Capital) Observações sobre o Valor.
Vida Tradicional (Morte) R$ 20,00 – R$ 40,00 R$ 50.000 – R$ 100.000 Produto de entrada; foco em funeral e pequenas dívidas.
Doenças Graves (DG) R$ 70,00 – R$ 150,00+ R$ 200.000 – R$ 300.000 Valor calibrado para custos de tratamento privado no Brasil.
DIT (Diária) 3% a 5% da Renda Declarada R$ 100,00 a R$ 150,00 / dia Limite usual de 30 a 365 diárias; Reposição de renda.
Microsseguro (Acidentes) < R$ 20,00 R$ 5.000 – R$ 10.000 (DMHO) Foco em despesas médicas imediatas de acidentes.
Considerações Finais: O Futuro da Proteção em Vida
A análise dos dados de 2024 e 2025 confirma que o seguro de vida no Brasil superou a fase de ser um produto “de gaveta”.
A introdução de coberturas inteligentes de Doenças Graves e DIT não foi apenas uma estratégia de marketing, mas uma resposta necessária a uma sociedade que vive mais, porém com menos garantias estatais de saúde e previdência.
As operadoras analisadas demonstram caminhos distintos para o mesmo fim: a Azos e a Iza provam que a tecnologia pode reduzir a sinistralidade e acelerar o pagamento, tornando o benefício em vida uma realidade palpável e imediata.
As gigantes Bradesco e Porto mostram que a escala e a integração com serviços de saúde criam uma rede de proteção que vai além da indenização financeira.
A Tokio Marine e a MBM reforçam a importância da adaptação a nichos específicos (PME e Coletivos).
Com a sinistralidade do ramo Vida estabilizada em patamares baixos (~27%), o setor possui gordura técnica para inovar ainda mais.
A próxima fronteira, já sinalizada pela Fenaprevi, é a regulamentação do Seguro de Vida Universal , que trará para o Brasil a flexibilidade de ajustar prêmios e coberturas ao longo da vida, consolidando definitivamente a transição do seguro de morte para o instrumento de planejamento financeiro vitalício. Para o consumidor brasileiro, a mensagem é clara: o seguro agora serve para viver, não apenas para morrer.